Piaget formulou uma teoria sob a forma como as
crianças adquirem os conceitos, admitindo que as crianças aprendiam um
conceito, considerando-o como um elemento separado do meio. Piaget referia
também que para a compreensão de certos conceitos era necessário que já
estivessem formadas estruturas cognitivas.
Segundo Piaget, a inteligência antecede o
pensamento, sendo que se desenvolve por etapas (estádios) que impõem a
adaptação ao meio.
As estruturas mentais (do pensamento) resultam
de uma construção contínua por parte do sujeito, que se encontra em constante
interação com o meio.
Os estádios representam as diferentes fases do
desenvolvimento intelectual de um individuo. Piaget demonstra que o
desenvolvimento das estruturas de pensamento da criança se realiza por estádios
caracterizados pelo aparecimento de novas estruturas, representando formas de
equilíbrio cada vez mais estáveis. O conceito de estádio implica geralmente a
integração progressiva de estruturas cognitivas.
Piaget distinguiu 4 grandes estados do
desenvolvimento intelectual:
Sensório-motor: Vai do nascimento até aos 2 anos; o
conhecimento do mundo é feito através dos sentidos; o bebé adquire o
conhecimento através das suas próprias ações que são controladas por
informações sensoriais (ex. puxar a toalha para ficar mais perto do pacote de
bolachas); Representa o período que antecede a linguagem.
Pensamento pré-operatório: Vai dos 2 até aos 6 anos de idade;
aparecimento da linguagem; a criança utiliza números, objetos, símbolos,
palavras para demonstrar a sua perceção do mundo.
Pensamento operatório-concreto: Vai dos 7 aos 12 anos de idade; Fase de
operações lógicas e experiencias que se centram no aqui e agora; Aparecimento
da capacidade de interiorização das ações (ex. verificar que um copo esta mais
cheio que outro comparando-os através de uma ação mental, sem necessidade de
medições).
Pensamento operatório- formal: Vai dos 12 anos
em diante; a criança consegue ter um pensamento abstrato e imaginar situações
hipotéticas; Aparecimento do raciocínio dedutivo.
Estádio
sensório-motor
Este período caracteriza-se como o período de
adaptação do bebé ao mundo exterior. Nesta fase predomina o desenvolvimento dos
movimentos e da perceção, sendo que é através deles que a criança procura
compreender o mundo. Este estádio denomina-se sensório-motor porque a criança
tenta perceber o mundo que a rodeia através das suas próprias ações. Neste
período a criança começa a a aperceber-se que existe de uma forma independente
dos outros objetos, ou seja, que os outros objetos à sua volta existem de uma
forma separada e contínua.
Durante esta fase o bebé desenvolve
competências fundamentais para o seu desenvolvimento futuro. Por ex. se
pusermos um objeto em frente de um bebé e depois o taparmos com um lenço o bebé
não irá tentar alcançá-lo pois pensa que desapareceu. No final deste período o
bebé desenvolverá competências que lhe permitem perceber que o objeto é
permanente, mesmo que este seja escondido em sítios diferentes.
Inteligência Sensorial + Inteligência Motora =
Inteligência Prática
·
A exploração
manual e visual do ambiente;
·
A experiência
obtida com ações, a imitação;
·
A inteligência
prática (através de ações);
·
Ações como
agarrar, sugar, atirar bater e chutar;
·
A coordenação das
acções proporciona o surgimento do pensamento;
·
A centralização
no próprio corpo;
·
A noção de
permanência do objeto.
Período pré-operatório
Durante este segundo estádio a criança aprende
a representar os abjetos através de palavras e a formar palavras mentalmente.
Nesta fase dá-se o aparecimento da função simbólica, que consiste na capacidade
de criar símbolos para representar objetos e percebe-los mentalmente. O fator
mais importante desta fase é o aparecimento da linguagem. Neste período
desenvolve-se a linguagem, as imagens mentais e os jogos simbólicos e,
consequentemente, as habilidades percetuais e motoras (por ex. a criança ao
desenhar um circulo vai dizer que é um carro). Enquanto no período anterior o
pensamento e raciocínio da criança são limitados a objetos e acontecimentos
imediatamente presentes e diretamente percebidos, no período pré-operatório, ao
contrário, a criança começa a usar símbolos mentais - imagens ou palavras que
representam objetos que não estão presentes.
Dois sub-estádios:
Pensamento
pré concetual (2-4 anos)
·
Animismo: a
criança dá vida aos objetos que a rodeia, por isso o seu pensamento não tem um
caráter lógico. Este animismo vai desaparecendo progressivamente. Ex. Desenha o
sol com uma cara.
·
Realismo: a
criança dá corpo, materializa as suas fantasias. Ex. Se sonhou que o lobo está
no corredor, pode ter medo de sair do quarto.
·
Finalismo: nada
acontece por acaso, tudo tem uma explicação. Ex. As nuvens movem-se para tapar
o sol.
·
Artificialismo:
os fenómenos naturais são explicados como se fossem produzidos por seres
humanos. Ex: Quem pintou o céu?
·
Egocentrismo: a
criança é incapaz de compreender as coisas por outro ponto de vista sem ser o
seu. Ex.: a noite vem quando é para eu ir para a cama
·
Pensamento
intuitivo (4-6/7 anos)
·
Irreversibilidade:
a criança não consegue reverter o raciocínio realizado anteriormente. Ex: -
Tens um irmão?
§ - Tenho.
§ - Como se chama?
§ - João.
§ - O João tem um irmão?
§ - Não
·
Dificuldades de
transformação: a criança não é capaz de perceber os processos que impliquem
mudança, pois o seu pensamento é estático, ou seja, centra-se naquilo que se
passa no presente.
·
Centralização:
Para responder a criança apenas considera um aspeto de cada vez, aquele que lhe
parece ser o mais importante., não conseguindo centrar-se nas várias
características da situação.
·
Não conservação:
a criança não consegue perceber que a quantidade pode permanecer embora o
objeto mude a sua forma ou aparência.
Estádio das operações concretas
Nesta fase o crescimento físico é mais lento.
A criança torna-se mais independente do adulto e embora no início considerasse
a opinião dos adultos, agora enfrenta-os. Para Piaget, é a partir desta fase
que as crianças começam a ver o mundo com mais realismo, deixando de confundir
a realidade com a fantasia. Dá-se o aparecimento do pensamento lógico, isto é,
a criança é capaz de realizar operações mentais mais concretas, é capaz de
reverter o se próprio raciocínio (reversibilidade), aparecimento do pensamento
descentrado, ou seja, a criança é capaz de se focar nos múltiplos aspetos da
situação noção de conservação, a criança ultrapassa o egocentrismo, aparecem os
conceitos de espaço, tempo, número e lógica e as classificações e seriações.
Para Piaget os fatores de desenvolvimento
eram:
Hereditariedade: por si só não é suficiente para explicar o
desenvolvimento, apesar de o influenciar. A maturação está dependente da
atividade de cada um e, por não atuar sozinha, a maturação interna é
insignificante.
Experiência física: é o resultado de todas as experienciais
físicas. O raciocínio da criança resulta da sua interação com os objetos. É
necessária uma coordenação interna entre as várias ações que a criança exerce
sob o objetos.
Transmissão social: está relacionada com a educação e é
fundamental, mas não é suficiente.
Equilibração:
é essencial para a criança se adaptar ao meio em que vive.
Assimilação, acomodação e equilibração
Assimilação
Na assimilação são incorporados os dados
exteriores às organizações mentais do individuo. Por exemplo quando uma criança
tem novas experiências (ouve ou vê alguma coisa nova) ela tenta adaptar esses
novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. Isto significa que a
criança terá de adaptar esses estímulos às suas organizações cognitivas, que já
possuía até aquele momento.
Acomodação
Acontece quando a criança não consegue
assimilar um novo estímulo, ou seja, não existe uma estrutura cognitiva que
assimile a nova informação em função das particularidades desse novo estímulo.
Dá-se uma transformação dos esquemas mentais do sujeito por influência da
incorporação dos dados do meio.
Equilibração:
A autorregulação entre a assimilação e a
acomodação permite a adaptação do individuo ao meio e assim desenvolver o seu
pensamento de forma a ficar cada vez mais complexo.
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